| Publicado em: 03/05/2017

Para senadores pressão popular é decisiva para reformas

Nem bem o projeto de reforma trabalhista chegou ao Senado e as centrais sindicais conseguiram articular uma reunião com os senadores de oposição ao governo Temer para buscar apoio contra as reformas trabalhista e da Previdência. Em reunião na sala da liderança do PMDB, Renan Calheiros (AL), as centrais deixaram claro qual é o objetivo dessas reformas: levar o país a um nível de semi-escravidão, precarizar.

Os presidentes das centrais Força Sindical, CUT, CSB, UGT, NCST, Intersindical e Conlutas, apelaram para que os senadores busquem estabelecer o diálogo com a sociedade, cuja maioria é contra a essas reformas. “A maioria do povo brasileiro é contra. Está sendo aviltada a vontade do povo brasileiro”, apontou o presidente da CUT, Wagner Freitas. Isso porque levantamento do DataFolha, divulgado no Dia do Trabalhador, mostrou que 71% dos brasileiros são contra a reforma da Previdência, por exemplo.

E o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, reforçou: “Temos de ter a possibilidade de dialogar ponto por ponto e fazer as alterações que precisam ser feitas”, defendeu Paulinho, que também é deputado federal (Solidariedade-SP).

Paulinho lembrou uma das várias incoerências do projeto de reforma trabalhista: querem tornar a contribuição sindical opcional, mas não querem mexer com a contribuição para custeio do Sistema S (Sesc, Senai, Sesi, Senac, entre outras).

E Renan Calheiros concordou: “Temos de discutir a reforma trabalhista, mas com diálogo com os trabalhadores. Como você vai acabar com a contribuição sindical, sem discutir a contribuição do Sistema S?”, questionou.

Dos demais senadores presentes, as lideranças dos trabalhadores receberam apoio. Uma das prioridades é garantir que a discussão da reforma trabalhista passe por quatro comissões e em cada uma delas por vez. “Não pode ser aprovado o regime de urgência”, defendeu a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), lembrando que o governo quer repetir o ritmo que foi dado ao projeto na Câmara dos Deputados.

O projeto foi despachado somente para as comissões de Assuntos Econômicos (CAE) e Assuntos Sociais (CAS). Foram deixadas de lado as comissões de Constituição e Justiça e a de Direitos Humanos de fora. Tal tramitação permitiria maior espaço e tempo para o debate. “Precisamos ter gente aqui dentro, fazer o debate. Aqui é a casa do povo”, defendeu Gleisi Hoffmann.

O senador Roberto Requião (PMDB-PR)avaliou que a proposta de reforma trabalhista precariza as relações de trabalho ao nível chinês: “A proposta do governo é transformar o Brasil num produtor de commodities mineral e agrícola. A compensação que o governo pretende é a precarização, como na China”. Requião defendeu a mobilização popular contra essas reformas e também para revogar as medidas já aprovadas. “Acredito na mobilização de vocês nas ruas”.

Renan Calheiros foi no mesmo sentido. “Na medida que tiver mobilização nas ruas, vamos ter reflexos no Senado”, apontou.

 

A proposta de reforma trabalhista – PLC 38/2017 – chegou ao Senado nesta nesta semana, onde deve ser analisada nas comissões, para depois passar por duas votações no plenário e, se aprovada, ir a sanção do presidente Michel Temer.

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