| Publicado em: 06/02/2018

Reforma da Previdência de Temer não corrige privilégios, analisa Dieese

O presidente Michel Temer tem feito uma ofensiva midiática como mais uma cartada em busca de apoio para aprovar a reforma da Previdência, na votação prevista para acontecer no próximo dia 19. Mas, exposição na mídia e mudanças pontuais no projeto realmente fazem a diferença? O Visão Trabalhista conversou com o diretor técnico do Dieese (Departamento Intersindical de Estudos e Estatísticas Socioeconômicas), Clemente Ganz Lúcio, sobre os argumentos do governo. Confira os principais trechos (a íntegra está no nosso site):

Ofensiva midiática do governo Temer:

Clemente: corte de privilégios teria de começar pela aposentadoria de Temer

Tem dois ou três objetivos. O primeiro é convencer a população e dizer que se não fizer a reforma não vai ter dinheiro. O que eles não dizem é que o governo gasta com outras coisas, como jogar R$ 500 bilhões nas mãos de rentistas. Ele está dizendo, assim, quais são suas prioridades. Agora, essa participação nesses programas de TV, faz parte da disputa e deixa mais claro o quanto é necessária a democratização da mídia. Aqueles que não concordam com essas ideias não têm o mesmo espaço [para contrapor]. 

O Brasil vai virar uma Grécia?

O argumento tem fundamento na opção que estão fazendo. O risco de que não teremos como pagar todas as contas é real. Mas, o que nós [trabalhadores] estamos dizendo é que precisa retomar o crescimento. E tem de fazer escolhas, os ricos tem de pagar impostos no Brasil. E precisa reorganizar investimentos, não faz sentido gastar R$ 500 bilhões para pagar banqueiros e rentistas. Mas, a opção do governo é cortar Saúde, Educação, Previdência.

Essa reforma irá cortar privilégios?

A linha do corte de privilégios é correta. Mas, o presidente tinha de começar por ele (que se aposentou como procurador aos 55 anos e ganhando R$ 45 mil). Estamos assistindo agora juízes que têm moradia na cidade e recebem auxílio moradia. Como é que o imposto de quem ganha dois salários mínimos vai arcar com o auxílio moradia de R$ 4.300 de um juiz? Essa desigualdade é insuportável. Agora, desde 2003, foram feitas mudanças no setor público, quem se aposentar hoje vai ter as mesmas regras.

Mesmo com as mudanças no projeto, a reforma ainda traz prejuízos aos trabalhadores?

Fizeram uma proposta e estão mudando porque o Congresso não está aceitando. O que eles estão mudando [nas regras para a aposentadoria] é aquilo que precisa fazer mudança Constitucional, o que abre caminho para que lá na frente seja possível fazer outras mudanças, que não precisem do apoio de 308 deputados, de muito menos.

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