| Publicado em: 08/08/2017

Entrevista: Governo Temer volta a mirar aposentadoria dos brasileiros

Depois de fragilizar os direitos assegurados pela CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas), o governo Temer prepara mais um golpe contra o brasileiro: volta a mirar a aposentadoria de milhões de trabalhadores. Em entrevista, ao Visão Trabalhista, o secretário-geral do Sindicato, Gilberto Almazan, elenca os pontos mais graves do projeto, critica os últimos depoimentos de Temer sobre o assunto e faz um alerta aos brasileiros sobre as verdadeiras intenções do governo.

Como se trata de uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional), a reforma precisa de 308 votos no plenário para ser aprovada. Se passar, segue para o Senado. Por isso, que Almazan destaca a importância dos brasileiros se organizar, pressionar os parlamentares e resistir.

Almazan: Não me iludo que a bancada possa ter diminuído

Visão Trabalhista – A aprovação da reforma trabalhista pode refletir na votação da reforma da Previdência?
Gilberto Almazan – Não, porque são questões diferentes. Na reforma trabalhista, tinha-se um discurso de que ela podia gerar mais emprego, então as pessoas talvez tiveram este entendimento equivocado, e não foram para as ruas para ser contra. Com a reforma da Previdência é diferente tem muita gente que depende da aposentadoria para sobreviver, é um meio de distribuição de renda.

VT – Reportagens da grande imprensa apontam que a base aliada de Temer encolheu 40% após a delação da JBS. Isso pode influenciar na votação da reforma da Previdência?
GA – Não me iludo que a bancada possa ter diminuído. Eu não acho que as pessoas que fazem parte da bancada de apoio a este governo possam mudar de lado. Mas acho que as eleições de 2018 podem ser uma forma de pressionar, para que elas não votem a favor destas mudanças.

VT – Em entrevista para o Estadão, Temer mostrou uma leve tendência em reduzir as mudanças da reforma da Previdência. Como você avalia isso?
GA –
Tendo em vista as eleições, o governo pode ao invés de fazer uma reforma mais ampla eleger alguns pontos que considera importantes, e passá-los. Mesmo assim corremos o risco que pontos que vão reduzir bastante o direito dos trabalhadores sejam aprovados 

Almazan: hoje temos um inimigo muito mais visível: o grande capital

VT – Para você, qual é o ponto mais grave da reforma da Previdência?
GA –
Ela é grave na sua totalidade. No entanto, entre os pontos mais preocupantes, o primeiro é aumentar o tempo mínimo de contribuição de 15 para 25 anos. Isso significa que dos que recebem hoje, aproximadamente 80% não receberiam, você exclui parte significativa dos beneficiários, principalmente dos mais pobres.  O segundo é instalar uma idade mínima para aposentadoria, que vai colocar as pessoas numa situação de ter que trabalhar até os 65 anos, os homens, e as mulheres até os 62 anos. Sendo que para ter acesso ao benefício integral terá que ter 49 anos de contribuição. 

VT – O que devem fazer os cidadãos, os trabalhadores?
GA –
Devem seguir as orientações das organizações que são contra, como o movimento sindical, a igreja católica, a OAB, os movimentos sociais, estudantis e de bairros para que a gente possa criar um movimento unificado de luta contra estas medidas. Todos eles são contra a qualquer tipo de mudança hoje na Previdência. O governo parte do princípio de que há um rombo na Previdência.

VT – Este rombo é real?
GA –
É uma mentira descarada. A CPI da Previdência tem mostrado que isso é uma inverdade muito grande. Não tem lógica se partir de uma inverdade, de uma mentira, para se fazer qualquer mudança. Se ela segue, a gente já entende que não é para o bem.

VT – Se não tem rombo, por que a insistência nesta reforma?
GA –
Porque estas reformas não estão aí por um acaso, elas têm um objetivo claro de transferir renda dos mais pobres para os mais ricos. Então, hoje, temos um inimigo muito mais visível: o grande capital, que são os banqueiros, as empresas multinacionais. Por isso que a gente tem que ter um esforço maior para denunciar e combater estes grandes capitalistas.

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