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A longa caminhada da mulher metalúrgica

Por Felipe | 14 mar 2018

Há décadas as mulheres lutam, junto com os homens, por melhorias na vida da classe operária. Em 8 de março de 1917, há mais de 100 anos, foram elas que iniciaram uma das maiores manifestações da história da Europa, tomando as ruas da capital do poderoso Império Russo. Surgia aí o Dia Internacional das Mulheres.

Mas a luta das operárias não se reduz a essa data, se expandindo muito além na história. O machismo, aliado à exploração capitalista, é um inimigo teimoso que ainda ataca as trabalhadoras e gera conflitos ferrenhos até hoje. Os patrões que não aceitam o progresso e a igualdade insistem em tratá-las de forma diferenciada, apenas por serem mulheres.

As metalúrgicas de Osasco já travavam essa batalha há muito tempo: lutaram na década de 60, na Greve da Cobrasma, e continuaram lutando mesmo após as intervenções no Sindicato. Um desses diversos conflitos foi travado durante a Campanha Salarial de 1989, quando foi levantada a necessidade de incluir a luta contra a discriminação das mulheres na pauta da Campanha.

Mulheres metalúrgicas discutem necessidade de incluir a luta contra a discriminação de gênero na pauta da Campanha Salarial de 1989

Na época, além do salário menor, as trabalhadoras sofriam com fábricas que não contratavam mulheres grávidas, além de algumas que chegavam ao absurdo de exigir laqueadura, que impede a gravidez. Diante desse cenário, o sindicato decidiu se mobilizar e organizou um debate sobre a questão, que contou com a participação da então subdelegada do trabalho de Osasco, Lucíola Rodrigues Jaime, que dedicou décadas de sua vida lutando por igualdade.

Ao convocar as metalúrgicas, o sindicato já avisava: “esse problema não é só das mulheres, mas de todos nós”. O machismo nas fábricas, que ainda hoje tenta resistir, é um problema de classe. As empresas temem as conquistas das mulheres porque elas têm consequências bem claras: a união e o fortalecimento da classe operária.