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Assassinato de Dorothy Stang completa 15 anos

Por Cristiane Alves | 12 fev 2020

Há 15 anos, exatamente na data de hoje, era assassinada a freira Dorothy Stang. Um crime cometido por latifundiários que recorreram a eliminação da lutadora como tentativa de acabar com sua luta.

Religiosa naturalizada brasileira, Dorothy pertencia à Congregação das Irmãs de Notre Dame de Namur. A freira, que fazia parte da Comissão Pastoral da Terra (CPT), em Anapu, no Pará, foi executada com seis tiros no lote 55 do Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) – Esperança, em 2005. O assassinato foi encomendado por dois fazendeiros, Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, e Regivaldo Pereira Galvão, conhecido como Taradão, devido a disputa por terras que pertencem à União.

Foi a consumação de inúmeras ameaças de morte que a freira recebeu, mas que não a intimidou. “Não vou fugir e nem abandonar a luta desses agricultores que estão desprotegidos no meio da floresta. Eles têm o sagrado direito a uma vida melhor numa terra onde possam viver e produzir com dignidade sem devastar”, disse Dorothy.

Infelizmente, a morte da freira não foi um marco para que novas relações se estabelecessem no campo. A violência continua: De 2005 a 2019, de acordo com a CPT, foram 23 assassinatos em conflitos no campo no município de Anapu (PA).

Além disso, uma perseguição se instalou também contra levou a diante da luta da freira. É o que acontece com as irmãs Jane Dwyer e Kátia Webster, da mesma congregação de Stang, e o padre Amaro Lopes, de acordo com a CPT. “Em 4 de março de 2018, após um longo processo de criminalização, padre Amaro Lopes foi preso. Ele foi vítima de falsas acusações por parte de fazendeiros e da Polícia Civil de Anapu, com o objetivo de mantê-lo afastado de suas atividades pastorais no município. O Ministério Público não encontrou provas que pudessem sustentar diversas das acusações até então levantadas pela Polícia. Foi feita uma verdadeira campanha de eliminação moral do Padre Amaro. O religioso foi solto após um habeas corpus em junho do mesmo ano. Porém, o processo ainda corre e padre Amaro teve suas atividades limitadas por conta disso”, relata a CPT em seu site.

Dorothy Stang vive na luta de todos os movimentos sociais em defesa do meio ambiente, da agricultura sustentável e também do campo e da cidade. É preciso lembrarmos sempre de exemplos incansáveis como o dela, ainda mais neste momento de intensa perseguição aos movimentos de trabalhadores e de destruição das conquistas de preservação ambiental que o atual governo busca nos impor.