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Biografia conta a história de José Ibranhin

Por Cristiane Alves | 03 maio 2018

O aniversário de cinco anos da morte de José Ibrahin foi marcado pelo lançamento da biografia escrita pela jornalista Mazé Torquato Chotil, na sede do nosso Sindicato, na quarta-feira, 2.

Mazé Chotil diz que um dos objetivos da biografia é ajudar na formação das atuais e futuras gerações

Publicada pela editora Alameda, a biografia traz a história de uma das principais lideranças sindicais do país, a começar pela infância no bairro de Presidente Altino, onde está localizada a sede do Sindicato. Proximidade que proporcionou a Ibrahin ter contato com os trabalhadores e com a direção da entidade desde muito cedo. A publicação também aborda a convivência familiar, com os pais, os irmãos e, mais tarde, com os filhos Carlos e Gabriel Ibrahin. Presente no lançamento, Gabriel lembrou o quanto o pai gostava de dialogar e fazer amizades. “Sempre admirei essa capacidade do meu pai de agregar pessoas”, ressaltou. Talento inato que se expressou ao longo da vida de luta pelos direitos dos trabalhadores.

Também relata a articulação da Chapa Verde, que trazia em seu programa o compromisso com a organização de base com a expansão das comissões de fábrica. A Chapa foi eleita em 1967, com Ibrahin, aos 21 anos, encabeçando uma direção combativa, em plena ditadura militar. O histórico da participação da militância de Osasco no 1º de maio de 1968, na Praça da Sé, em que os trabalhadores tomaram o palanque e expulsaram o governador Abreu Sodré foi o prenúncio do que estava por vir.

Em 16 de julho de 1968, estourava a Greve de Osasco, com a ocupação da Cobrasma e da Lonaflex, movimento que se alastrou para empresas como Fósforos Granada, Barreto Keller, Braseixos, Brown Boveri. Uma greve articulada entre o Sindicato e movimentos como a Frente Nacional do Trabalho. “Se não houvesse o esforço ético e moral de resistir, não aconteceria o 1º de maio de 1968, nem a greve. O que nos falta hoje é essa ética, capacidade de indignação e o sentimento de que, sem essa prática, a vida não faz sentido”, analisa Antonio Roberto Espinosa, outra liderança da Greve de Osasco.

Depois da Greve, o Sindicato sofreu intervenção, a diretoria foi cassada e Ibrahin partiu para a luta armada, como membro da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária). Foi preso, em 2 de fevereiro de 1969, e torturado. Trocado pelo embaixador americano Charles Elbric, saiu da prisão, sete meses depois, direto para o exílio. Passou por Chile, Panamá e Bélgica.

Para chegar a esse relato, Mazé Chotil recorreu a diversas fontes, incluindo o Centro de Documentação do nosso Sindicato – o Cedoc Sindmetal – entrevistas e documentos de parentes e amigos. Um deles é Luisão, amigo desde a época de Senai e que o acompanhou ao longo da vida e da militância. Luisão fez um relato sobre alguns desses momentos, como a decisão de voltar ao Brasil, em 1979. “Nós decidimos voltar e organizar uma central sindical a partir dos locais de trabalho”, conta. Chegando ao Brasil, Ibrahin, Luisão e outros companheiros participaram da criação da CUT; depois, da Força Sindical e da UGT. Além dos partidos PT e PDT.

Para a autora, o registro da história de Ibrahin “é também uma forma de contribuir com a formação da atual e das futuras gerações”, avalia Mazé.

O livro está a venda no site da Alameda por R$ 50.