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Especialistas alertam que pandemia agrava problemas relacionados ao trabalho

Por Auris Sousa | 17 jul 2020

Neste período de pandemia, o assédio moral tem ocorrido além dos locais de trabalho tradicionais e chegou à casa dos trabalhadores, por meio do teletrabalho. O alerta foi feito por Margarida Barreto, médica do trabalho, que nesta quinta-feira, 16, durante o 41º Ciclo de Debates, destacou a importância de agir contra esta prática que pode prejudicar a saúde mental do trabalhador. O Ciclo é um tradicional evento sobre saúde e segurança organizado pelo Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região, há 41 anos consecutivos.

Margarida observou que, assim como parte dos trabalhos foi para o ambiente virtual, o assédio moral também fez a mesma transição. Compartilhou, inclusive, uma denúncia de uma trabalhadora que, após diversas sequências de assédio por meio do celular, foi demita por telefone.

“Neste momento de pandemia, talvez seja o momento que eu tenho escutado mais denúncias de pacientes. São histórias de humilhações no home office, de pessoas em web conferência ser humilhada pelo gestor: ‘você está se queixando do quê? Você está na sua casa, acorda e deita a hora que quer’. Ou seja, o desrespeito invade as casas”, conta Margarida.

Segundo Margarida Barreto, a violência é cada vez mais sútil, de forma que o próprio trabalhador se sente culpado por não conseguir oferecer mais: “por isso que o assédio moral é destrutivo, porque fere a alma”.

A violência praticada na relação de trabalho, por meio do assédio moral, também aparece no vídeo “Basta!”. Lançado na abertura do Ciclo, ele resgata a trajetória de luta dos metalúrgicos de Osasco e região contra os acidentes no local de trabalho.  Cenas que puxaram memórias de momentos que Fernanda Giannasi, ex-auditora fiscal do trabalho, fez questão de compartilhar.

“Todo dia a gente tinha acidente. Todo dia a gente tentava atender imediatamente aquelas ações. Não é possível que um acidente seja investigado depois de dois anos, porque nem as testemunhas estão mais ali, os documentos já sumiram”, critica ela ao destacar a precarização, o desmonte da fiscalização que só contribuem para deixar os trabalhadores ainda mais fragilizados. “Mais do que nunca, temos que estar unidos. Estamos num momento em que o mundo do trabalho está sendo desmontado, está sendo fragmentado”, alerta Fernanda.

Resistência foi o que pediu o advogado Antonio Rebouças, que destacou que “por objetivos econômicos, planeja-se uma mutilação e extinção de direitos, inclusive no âmbito da Previdência Social. Estão sendo destruídas as nossas instituições, criminosamente estão sendo destroçadas”.

Rebouças enfatizou que não devemos nos silenciar diante deste cenário de destruição da saúde, da educação, dos indígenas, dos diretos sociais e trabalhistas. Também chamou atenção para a defesa do SUS (Sistema Único de Saúde) que tem mostrado sua eficiência para a população brasileira.

“É um crime contra a pátria o que está acontecendo entre nós. Nós não iremos desistir, nós iremos resistir ao máximo dentro da dignidade da lei para que se restabeleçam estes ‘edifícios’ que estão sendo destroçados”, enfatizou Rebouças.

Inovação

Neste ano, o Ciclo de Debates contou com dois formatos: remoto (pelo aplicativo Zoom) e presencial, respeitando as recomendações sanitárias. Também teve transmissão ao vivo pela página do Sindicato no Facebook. Os formatos permitiram uma maior participação de trabalhadores, especialistas, dirigentes sindicais e estudantes que interagiram com os palestrantes e com a diretoria do Sindicato, simultaneamente.

O debate deixou ainda mais claro que os esforços para manter firme a luta em defesa dos direitos dos trabalhadores, a luta por mais saúde e segurança, e a luta por um mundo mais justo se fazem cada fez mais necessários.

Assista ao Ciclo de Debates completo: