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Futuro da Organização Sindical é tema de abertura do Ciclo Temático na sede

Por Auris Sousa | 27 set 2019

Dirigentes sindicais de diversas categorias se reuniram na quinta-feira, 26, na sede para debater o “Futuro da Organização Sindical”. Trata-se do primeiro encontro do Ciclo Temático, organizado pelo Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco para organizar e fortalecer a unidade em nome dos direitos dos trabalhadores.

“São muitos os ataques aos direitos dos trabalhadores. Os desafios e estratégias para barra-los são combustíveis para reforçar ainda mais a organização do movimento sindical e nos fazem refletir sobre o futuro, sobre a estrutura de organização que precisamos. Por isso discutir a transformação atual, o futuro, é fundamental para a defesa dos direitos dos trabalhadores”, destacou a vice-presidente do Sindicato, Monica Veloso.

Rafael Guerra, da UAW, explicou formas de organização dos trabalhadores nos EUA

Para embasar as discussões sobre o assunto, os dirigentes receberam informações importantes de Rafael Guerra, da UAW – sindicato dos Estados Unidos -, do Valter Sanches, da IndustriAll Global Union. Os dois trouxeram exemplos importantes da organização do movimento sindical internacional.

Guerra detalhou a forma de atuação dos sindicatos americanos. Lá, o acordo coletivo é por empresa, mas nacional. Um bom exemplo, é a GM, em que mais de 49 mil metalúrgicos estão em greve para pressionar a empresa a renovar o acordo coletivo. Entre outros pontos, eles reivindicam reajuste, PLR e convênios médico, inclusive para família. “Os trabalhadores sabem que será apenas pela luta que vão conseguir garantir seus direitos e cuidar de suas famílias com dignidade”, explicou.

Por vídeo conferência, Valter Sanches, da IndustriALL falou sobre a estrutura sindical brasileira e internacional, reforçou que este é o momento ideal de discutir organização, tendo em vista os ataques que  trabalhadores de todo o mundo têm sofrido. “Sindicato é a última barreira para defender os direitos dos trabalhadores”, reforçou e destacou que o movimento social tem grandes desafios com as novas profissões, como Uber. “Nosso problema não é a tecnologia, mas sim a precarização. Temos que ter uma visão ampla”, destacou.

 

Transformação no mundo do trabalho

Na mesma linha de Sanches, Fausto Augusto, técnico do Dieese, trouxe uma reflexão necessária sobre as transformações no mundo do trabalho e os desafios da representação sindical. “Encontros como este são fundamentais. Nós temos que discutir entre o movimento sindical, com a categoria, discutir em todas as esferas de representação, trazer a sociedade para fazer este debate. É fundamental que a gente comece minimamente um debate que vai se ampliando. O movimento sindical é fundamental no Brasil, fundamental para manter a nossa história, para manter os direitos sociais que foram historicamente conquistados e que neste momento estão sob ataque. Então, eventos como este serve para gente fortalecer a luta, construir unidade, refletir juntos e ir para base, para comunidade, para sociedade, em geral”, avaliou.

Resumindo, o primeiro encontro deixou claro que mudanças para fortalecer a organização é necessária, mas que elas devem ser feitas pelos trabalhadores. Neste sentido as relações sindicais e intersindicais passam a ser cada vez mais fundamentais. “Meu sentimento é que a participação neste encontro demonstra que estamos sedentos  por informações, por caminhos. E estes caminhos têm que ser de forma coletiva. Temos que juntar esforços para saber que sindicalismo vamos levar para frente. Que possamos nos organizar mais, nos encontrar mais e discutir juntos e unir os esforços necessários para barrar os ataques”, destacou o presidente do Sindicato, Jorge Nazareno.

O saldo do encontro para os dirigentes foi  um maior conhecimento do modelo sindical internacional, e mais força  para atuar em defesa dos trabalhadores. “O salto de qualidade já está acontecendo: [apesar dos ataques] temos mantido as convenções coletivas  e os acordos de PLR continuam saindo”, pontuou Juruna, secretário-geral da Força Sindical.

Para finalizar o encontro, o secretário-geral do Sindicato, Gilberto Almazan, destacou a necessidade de “arregimentar forças não só dos trabalhadores, dos movimentos sindicais, mas também de toda sociedade, como os estudantes, artistas, para contrapor as pautas que ameaçam os direitos econômicos e sociais dos trabalhadores”.