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Homenagem à Espinosa resgata momentos de vida e luta do companheiro

Por Auris Sousa | 02 out 2019

Homenagem a memória e luta de Espinosa reuniu lideranças sindicais, políticas, estudantis e de movimentos sociais e populares na sede do Sindicato

Foi do jeito que ele gostava: com auditório lotado, discurso em defesa da democracia, depoimentos que resgataram histórias de luta e música boa, cantada ao vivo, que aconteceu no sábado, 28, à homenagem ao companheiro Antonio Roberto Espinosa. O encontro reuniu familiares, companheiros de luta de Espinosa que demonstraram que a morte não é o fim, e o desejo dele por uma sociedade mais justiça e igualitária para todos está cada vez mais forte e presente.

O encontro aconteceu na sede do Sindicato e reuniu lideranças sindicais, políticas, estudantis e de movimentos sociais e populares. Ao microfone, companheiros de vida e de luta do Espinosa se revezavam para lembrar um momento do amigo. Muitos dos depoimentos revelaram a paixão e compromisso que ele tinha com sua luta. “No dia do meu nascimento, meu pai deixou a minha mãe em trabalho de parto no hospital para participar de uma assembleia. Quando retornou, eu ainda não tinha nascido. Enquanto isso, debruçou-se nos seus livros ”, disse Julia, ao ressaltar que ele sempre foi muito comprometido com sua luta e pelo conhecimento.

A sua paixão por crianças também foi lembrada pelo amigo Antonio Roxo, que destacou o vínculo de amizade que Espinosa criou com sua netinha. Outro vínculo expressado foi pelo o estudante da Unifesp Ivo Sousa Ferreira, um dos jovens que passou a acompanhar Espinosa. “Aprendi muito com ele”, disse.

Aprendizado que não se aplica apenas aos mais jovens, durante sua fala o presidente do Sindicato, Jorge Nazareno, destacou a importância do legado que Espinosa deixa para todos. O mesmo tom foi dado pelo ex-ministra da Secretaria de Políticas Públicas para as Mulheres, Eleonora Minicucci.

“Que a ausência de Espinosa seja uma ausência com sinônimo de luta, porque a luta pela democracia, a luta pelo estado de exceção que estamos vivendo, a luta pelo resgate do estado democrático de direito, são sinônimos. Que Espinosa seja um farol que possa iluminar este momento tão difícil que o Brasil está vivendo. Que os anos que Espinosa viveu na cadeia, a dignidade com que ele enfrentou a tortura, a prisão, sirvam de exemplo”, enfatizou Eleonora.

Em vários momentos a articulação e divulgação da greve de 1968, em Osasco, foram relembrados. Um dos relatos partiu do companheiro Roque Aparecido que lembrou a construção da articulação de toda greve. Um dia antes, ele e Espinosa detalham toda a movimentação nas fábricas, isto antes dela de fato acontecer. “Aconteceu boa parte aquilo que agente divulgou no jornal, até a polícia “cair de pau” e impedir que acontecesse o restante”, disse sorrindo.

Se Espinosa foi importante no combate à Ditadura, o mesmo se pode dizer sobre a luta em defesa de uma vida mais justa para todos. O deputado estadual Emídio de Souza lembrou que Espinosa ajudou na construção de algumas políticas públicas para Osasco e ressaltou que “faz falta alguém que ajuda a apontar caminhos para enfrentar este caos que estamos vivendo, este renascimento da direita fascista. Faz falta Alguém com o espirito combativo de Espinosa”

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