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EDIÇÃO # 5
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Metalúrgicas da região cumprem 96,2% da Lei de Cotas

Por Auris Sousa | 26 fev 2019

Ter deficiência não é um limitador para o trabalho. Alexandre, mais conhecido como Bola, é um dos grandes exemplos disto. O companheiro tem deficiência intelectual, trabalha na Rossini, e esta entre os trabalhadores que ocupa uma das 96,2% vagas previstas pela Lei de Cotas nas metalúrgicas de Osasco e região. Esta marca faz parte dos dados da 13ª Pesquisa “Lei de Cotas – Trabalhadores com deficiência no setor metalúrgico de Osasco e Região”, lançada na sexta-feira, 22, na sede do Sindicato.

Clemente apresenta dados da Pesquisa Metalúrgica [Foto: Joicy Costim]

“Foi bem bacana. Dias antes da entrevista, fui até o endereço da empresa para saber direitinho como chegava, para eu não me atrasar. Fui com o meu padrasto e deu tudo certo. Fui contratado, e estou adorando”, disse.Aos 43 anos, Bola tem mais de 11 anos de experiência na metalurgia, no setor de qualidade. A maior parte adquiridos na Corneta. Após o fechamento da empresa, fez alguns “bicos”, mas há um pouco mais de cinco meses foi indicado por um ex-colega para concorrer a uma vaga na Rossini.

Satisfação que também é sentida pelas metalúrgicas da região. Isto porque, mesmo desobrigadas pela Lei de Cotas, 60% delas têm em seu quadro trabalhadores com deficiência. O destaque ainda esta na região de Alphaville, que lidera as contratações com 103,7%, seguida de Barueri, com 102, 7%. No que se refere aos setores, dois deles, superaram as exigências da Lei de Cotas: Grupo 19-3 (Laminação, Trefilação), com 114,3%, e Grupo 3 (Automotivo), 102,5%.

Oportunidades seletivas – A Pesquisa mostra que nem todos trabalhadores com deficiência intelectual tiveram a mesma oportunidade que Bola, isto porque ainda existe a concentração de contratação entre as deficiências física, auditiva e os reabilitados, com 81,8% do total de vagas ocupadas em 2018.

“A Pesquisa nos permite colocar esta discussão na mesa de negociações anuais do Sindicato com o setor patronal, e mostrar que é possível que qualquer segmento da área da metalurgia da região de Osasco tenha pessoas com deficiências nos seus quadros”, explica Clemente.

Inciativa que tem atraído à atenção do Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba, que enviou uma delegação com 20 dirigentes sindicais para acompanhar a divulgação dos dados e conhecer mais de perto a luta pela inclusão do Sindicato. E, se alguém precisava de um empurrão, Carlos Eduardo Viviane, deu um daqueles. Mais conhecido como Carlinhos, ele não só lançou um quarto projeto profissional, como também mostrou que não existe limites, quando há determinação. 

O evento também falou sobre a cartilha “Incluir é atitude. Qual é a tua?” e contou com a presença de dirigentes metalúrgicos de São Paulo, de outras categorias, bem como de trabalhadores com deficiência, representantes de empresas, de órgãos públicos, e militantes pela inclusão.