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EDIÇÃO # 15
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Execuções continuaram com autorização de Geisel

Por Cristiane Alves | 15 maio 2018

O General Ernesto Geisel tem as mãos tão sujas de sangue quanto seus antecessores. Ele sabia, compactou e autorizou que pessoas consideradas opositoras ao regime militar fossem assassinadas. A revelação é do professor Matias Spektor, da Fundação Getulio Vargas, com base na análise do memorando de 30 de março de 1974, assinado por William Egan Colby, então diretor da CIA, que narra uma reunião no Centro de Inteligência do Exército entre Geisel, João Batista Figueiredo (então chefe do Serviço Nacional de Informações), e os generais Milton Tavares de Souza e Confúcio Danton de Paula Avelino, que foram chefes do Centro de Informação do Exército.

De acordo com o documento, Milton Tavares enfatizou que o Brasil não poderia ignorar a ameaça subversiva e que os “métodos extra-legais” deveriam continuar. Ele revelou que 104 pessoas já haviam sido sumariamente executadas.

A continuidade da política de extermínio foi apoiada pelo general Figueiredo. Geisel pediu para pensar no final de semana se autorizaria ou não a continuidade. No dia 1º de abril de 1974, quando o golpe completava dez anos, Geisel autorizou que os assassinatos continuassem, o que deveria acontecer após ordem do General Figueiredo.

Levantamento feito pelo portal G1 com base nos dados do relatório final da Comissão Nacional da Verdade, mostra que 89 pessoas morreram ou desapareceram do governo do general Ernesto Geisel até o fim da ditadura, um deles foi o jornalista Vladimir Herzog.

A revelação lança luz sobre mais uma parte da história da ditadura no Brasil. Isso porque Geisel era visto como o presidente da abertura. Porém, a revelação é feita com base em documentos tornados públicos pelos Estados Unidos – apoiador do golpe -, ainda que algumas linhas do texto permaneçam em sigilo. Já aqui no Brasil os militares insistem em manter a história oculta, não abrindo seus arquivos.