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O protagonismo do trabalhador

Por Felipe | 04 maio 2018

Passeatas, canções e bandeiras marcam o 1º de Maio em diversos países desde que os operários de Chicago foram assassinados em 1886, enquanto lutavam por uma jornada diária de 8 horas. Os tempos mudaram, mas a luta continua a mesma: saímos às ruas exigindo respeito e dignidade para a classe trabalhadora – que é, afinal, quem move o mundo.

Foi em um desses dias de luta e lembrança que os trabalhadores paulistas, liderados pelos metalúrgicos de Osasco, escreveram outro capítulo do conturbado ano de 1968. A ditadura tentou usurpar o protagonismo dos operários, montando um palanque na Praça da Sé e colocando nele o governador Abreu Sodré, levado ao cargo sem eleição, por ordem dos militares.

Os trabalhadores, porém, nunca tiveram sangue de barata. Vendo aquele absurdo, não pensaram duas vezes: expulsaram o governador do palanque e tomaram a palavra. A multidão de operários de São Paulo fez, então, seu próprio ato no 1º de Maio, no qual seguiram em passeata até a praça da República. Naquele dia histórico, o encerramento ficou para o jovem Zequinha Barreto, metalúrgico de Osasco que deu a vida para enfrentar a ditadura.

A coragem dos trabalhadores naquele dia atraiu a admiração da população e o ódio do governo. Marcados, os membros da diretoria dos metalúrgicos de Osasco passaram a ser ameaçados de cassação caso continuassem. Mas, frente ao arrocho salarial e aos outros ataques, desistir nunca foi uma opção – assim como não é hoje. Meio século atrás nos atrevemos a tomar nosso lugar de protagonistas. Agora, é hora de repetir a dose.

foto: O Estado de S.Paulo, cedida pelo Centro de Memória Sindical