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Jorge Nazareno
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A luz da verdade

Por Jorge Nazareno - Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região 15 maio 2018

A Comissão Nacional da Verdade identificou 434 mortos ou desaparecidos por conta da perseguição, tortura e assassinato da ditadura militar. Entre eles, está por exemplo, Zequinha Barreto, um dos participantes da Greve de Osasco de 1968, que foi cruelmente assassinado, ao lado do capitão Carlos Lamarca. Além de assassiná-los, a ditadura torturou cruelmente a família de Zequinha.

Muitos dos torturados sobreviveram para contar a história sobre a realidade de se viver sob uma ditadura. Podemos citar os companheiros Antonio Roberto Espinosa, Joaquim Miranda, Stanislaw Zermeta, Manoel Dias do Nascimento e João Joaquim. Outros já se foram mas também compartilharam conosco seus relatos, como José Groff e José Ibrahin. Todos eles participaram da Greve de Osasco e, depois, continuaram lutando pela Democracia e os direitos dos trabalhadores. Os nomes das vítimas materializam um fato do qual muito ainda insistem em duvidar, a ponto de vermos brotar manifestações nas ruas e nas redes sociais de apoio a ditadura.

Parte dessas manifestações se deve ao fato de que pouco dessa história é analisada nas escolas. Além do que pouco foi feito para punir os culpados pelas graves violações aos direitos humanos cometidas no período. A revisão da Lei da Anistia é uma necessidade, apontada também no relatório da Comissão Nacional da Verdade. Além disso, é fundamental que o Exército abra seus arquivos, permitindo que mais pesquisadores e o conjunto da população possa compreender a realidade do regime.

Por tudo isso tem tanto valor a revelação da semana passada de que os assassinatos continuaram durante a gestão Geisel. Deixa claro a sistemática do extermínio de opositores e mostra para as gerações atuais e futuras o horror que é viver sob uma ditadura. É importantíssimo conhecer a história para que ela jamais se repita. Cabe a todos nós defendermos a Democracia e a liberdade.