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Fausto Augusto Júnior
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Desdém do governo e a alta dos preços

Por Fausto Augusto Júnior - Diretor técnico do DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos 22 set 2020

A inflação dos alimentos voltou a assombrar os brasileiros. O governo, em vez de tratar o assunto com seriedade, culpou o auxílio emergencial e pediu ajuda aos donos de supermercados. Um país que sofreu tanto com inflação, até o plano real, em 1994, merecia que o governo tratasse o problema de outro jeito. Por que os preços desses alimentos tão essenciais têm subido durante a pandemia?

O Brasil aumentou a exportação de vários produtos, como carne, soja e derivados, arroz. A oferta desses itens para consumo interno diminuiu, o que explica, em parte, a alta. No caso do trigo, o país não produz o suficiente para a demanda interna e importa o produto. Na pandemia, a oferta internacional caiu. Para piorar, com o dólar em alta, o preço foi lá para cima.

Em relação ao arroz, o aumento da exportação convergiu com o fato de muitos produtores estarem migrando para lavouras consideradas mais rentáveis, o que tem reduzido a área plantada. Para piorar, desde o fim de 2019, os estoques públicos vêm caindo.

Assim, a alta dos preços é causada pelo aumento na exportação e por uma política de desmonte dos órgãos e conselhos que cuidam do abastecimento, dos estoques reguladores e das políticas agrícolas. O agronegócio lucra cada vez mais, enquanto a população vê os alimentos serem enviados para outros países. Soma-se a isso o abandono das políticas de agricultura familiar que, na década passada, tiraram milhões do mapa da fome, da pobreza e da situação de insegurança alimentar.

A inflação dos alimentos é culpa da política de governo.

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