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Jorge Nazareno
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Dois pesos e duas medidas

Por Jorge Nazareno - Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região 08 jul 2015

Um dos argumentos utilizados para defender a maioridade penal é o peso da opinião pública favorável a tal mudança. Talvez, incentivado por tal apoio é que o Congresso, especialmente, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB) tenha se lançado com tanta dedicação a aprovação da mudança, apesar dela ter sido rejeitada em primeira votação.

Ao promover tal votação Cunha foi contra uma decisão democrática da própria Câmara dos Deputados, ignorou o debate público sobre o assunto e fundamentalmente os impactos da mudança que insistiu até conseguir que fosse aprovada.

Estranhamente, o presidente da Câmara não se vale da vontade popular para fazer aprovar uma reforma política condizente com as reivindicações de junho de 2013 e o plebiscito popular de setembro de 2014 em que quase 8 milhões de brasileiros disseram “sim” a realização de uma Constituinte exclusiva sobre a reforma política. Conduzida a votação à moda “Cunha”, a Câmara aprovou uma reforma que deixa as coisas como estão, mantendo o financiamento privado de campanhas eleitorais.

Ou seja, a vontade popular é algo bem conveniente quando se tem dois pesos e duas medidas. Não podemos nos deixar enganar, não há atalhos no caminho, é preciso melhorar as políticas públicas garantindo acesso a Educação de qualidade, como instrumento para transformar a vida dos jovens e de toda a sociedade.

Além disso, temos de estar de olhos bem abertos para enxergarmos todas as manobras e não nos esquecer: O melhor caminho é fortalecer a luta.

Jorge Nazareno
Presidente do Sindicato dos
Metalúrgicos de Osasco e Região
[email protected]

Jornal Visão Trabalhista EDIÇÃO #12