Clemente Ganz
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Muitas greves em 2017

Por Auris Sousa | 07 dez 2017

Os trabalhadores coletivamente param de trabalhar e a isso chamamos greve. Ao parar de trabalhar, deixam de produzir e impõem perda àqueles que os empregam.

Em 2017, o Dieese identificou 1.001 greves até outubro, divididas quase igualmente entre o setor privado e o público. Na maioria, defensivas, ou seja, aquelas que os trabalhadores fazem porque estão no limite da perda dos direitos, em coerência com a grave recessão por que passa a economia brasileira.

No setor privado, 59% das greves ocorreram devido a atraso no pagamento dos salários; 27%, por alimentação; 16%, por reajuste salarial; 11%, por atraso no pagamento do 13o salário; e 9%, pela regularização do FGTS. 

No setor público, 45% das greves reivindicaram reajuste salarial; 19% melhores condições de trabalho; 18% pagamento de salários atrasados; 18%, piso salarial; 16% plano de cargos e salários; 11%, para efetivação da contratação; e 10%, por demandas relacionadas à alimentação.

Nós, trabalhadores, paramos, como forma de nos colocarmos em movimento. Somente desta forma realizamos a transformação de recurso produtivo em pessoas; de força de trabalho em sujeito coletivo da ação; de produtor de riqueza no sistema capitalista em promotor de bem-estar social. Na luta de classe, parar é condição para andar, algumas vezes, para avançar e outras, para se defender.

Clemente Ganz Lúcio
Diretor técnico do DIEESE