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Fausto Augusto Júnior
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Pandemia e desigualdade no trabalho

Por Fausto Augusto Júnior - Diretor técnico do DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos 05 nov 2020

A pandemia do coronavírus agravou a situação da economia e do mercado de trabalho no Brasil, que já era bem difícil. Milhões de pessoas perderam os postos de trabalho e as restrições a diversas atividades econômicas e à locomoção, impostas pela covid-19, dificultaram a vida de quem busca trabalho. 

Quase 12 milhões que tinham uma ocupação nos três primeiros meses de 2020 (13% dos ocupados) estavam desocupados ou fora da força de trabalho no segundo trimestre do ano.

 Os trabalhadores com rendimentos mais baixos foram os que mais perderam trabalho: 23% dos ocupados que recebiam até 1 salário mínimo no primeiro trimestre estavam sem trabalhar no segundo. Entre todos os que ficaram sem trabalho no período, 96% recebiam até 3 salários mínimos.

 A proporção de pessoas que perdeu trabalho foi maior entre os que tinham menos proteção trabalhista. Quase um terço (31%) dos trabalhadores domésticos sem carteira assinada não tinham ocupação no segundo trimestre. Também foram muito afetados os empregados os sem carteira assinada (23%), os que auxiliam nos negócios familiares (21%) e os trabalhadores por conta própria (18%). Negros, mulheres e menos escolarizados foram severamente penalizados.

A pandemia aprofundou ainda mais as desigualdades no mercado de trabalho. Uma grande preocupação é como se dará a realocação no trabalho desse grande número de pessoas, em um cenário de recuperação econômica lenta e desigual e sem políticas de incentivo ao emprego e renda.

 

Jornal Visão Trabalhista EDIÇÃO #17