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Somos radicais, sim! Na defesa da Democracia

Por Diretoria do Sindmetal - Opinião do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região 05 nov 2019

A indignação foi imensa por parte de todos aqueles que viveram na pele a ditadura civil-militar brasileira e de todos aqueles que sabem o valor da Democracia e que têm o mínimo de responsabilidade, com a divulgação, na quinta-feira, 31, da entrevista do deputado federal Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) defendendo um novo AI-5, caso houvesse uma radicalização da esquerda no Brasil, na esteira dos protestos que vêm acontecendo no Chile. “Se a esquerda radicalizar a esse ponto, vamos precisar dar uma resposta. E essa resposta pode ser via um novo AI-5, pode ser via uma legislação aprovada via plebiscito, como ocorreu na Itália. Alguma resposta vai ter que ser dada”, afirmou em entrevista ao canal de YouTube da jornalista Leda Nagle.

Igualmente, repudiamos as declarações do deputado e nos colocamos ao lado daqueles que defendem um processo no Conselho de Ética da Câmara para que haja o devido questionamento e punição a tamanha afronta a história brasileira.

Infelizmente as carências no nosso sistema educacional fazem com que muitos dos companheiros e das companheiras não saibam o que foi o AI-5. Ao mesmo tempo, muitos trabalhadores também foram à escola justamente comandada pela ditadura, que censurava o que era dito sobre ela, inclusive nos livros didáticos e pelos professores.

Foi o Ato Institucional nº 5 (AI-5), de 13 de dezembro de 1968, que possibilitou a intensificação da perseguição, da censura e da tortura. Jornais traziam receitas de bolo em lugar de notícias sobre a realidade do país, músicas eram censuradas, partidos e discussões políticas eram proibidos. Na ficção criada pela ditadura, tudo isso era feito para defender os “cidadãos de bem” do “comunismo”. Hoje, Eduardo Bolsonaro defende que o mesmo remédio seja usado contra a esquerda, diante de atitudes “radicais”. A roupagem muda, mas a essência do discurso autoritário permanece a mesma. Não pense que somente seria vítima quem protestasse ou “sequestrasse autoridades” ou “executasse militares”, seria contra todos; assim como foi na ditadura. Em Osasco, por exemplo, a Comissão Municipal da Verdade, teve relatos de pessoas sendo presas e levadas a tortura porque estavam namorando em veículo considerado suspeito pelos militares. Nossa categoria também teve seu Sindicato sobre intervenção porque nossa categoria fez a fundamental Greve de Osasco, de 1968.

Compactuar com essa visão é ir contra a Democracia, é ir contra todas as conquistas das quais desfrutamos hoje, que vão além do fundamental direito de eleger diretamente nossos representantes, passa inclusive pelo direito a discutir os problemas do país nas redes sociais, nas manifestações de rua e neste nosso jornal.

Valorizamos muito o debate gerado pelas declarações do deputado. É fundamental que haja uma avalanche de críticas, justamente para que não se esqueça e nunca mais aconteça! Pelo fundamental e necessário direito de protestar!

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