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Opinião
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Organização e luta

Por Cristiane Alves | 14 dez 2016

A mensagem de otimismo que é característica das publicações de final de ano perde espaço para o noticiário policial e econômico que não deixa margem para que, neste final de 2016, acreditemos em soluções mágicas.

Um turbilhão de acontecimentos faz de 2016 um ano ímpar para a história do nosso país e da nossa categoria. Um ano em que a derrubada de uma presidente aconteceu porque muitos acreditavam que essa seria a única medida para que superássemos a crise econômica. Assim, deram a licença para que a sanha golpista tomasse de assalto o poder, não importando que quem sentaria na cadeira de presidente fosse uma turma cuja integridade fosse uma dúvida, mas que valia a pena porque defendia um projeto totalmente avesso a maior participação do trabalhador na vida econômica e política do país.

Foi por meio do golpe e à serviço da elite econômica nacional que Michel Temer chegou à Presidência. Em troca, Temer vai apresentando ao Congresso uma série de medidas que somente penalizam a nós, trabalhadores. Ao que tudo indica o congelamento dos gastos com Saúde e Educação por 20 anos irá passar pela última votação no Senado e, a partir daí, jogar o país num atraso sem tamanho.

A proposta de reforma da Previdência traz consigo a ideia de que somente vai  se aposentar quem pagar um plano de previdência privado. Ou seja, Previdência pública é coisa com que não se poderia contar. Isso contribui para deixar os bancos ainda mais ricos e para desestruturar as políticas estatais de proteção social.

Mas a velocidade de Temer em colocar o programa do atraso em prática não tem agradado a mesma elite. Junto a isso, o próprio Temer e seus parceiros se dissolvem em denúncias e mais denúncias, que vão se avolumar ainda mais à medida que as delações da Odebrecht virem à tona. Em meio a isso, o desemprego só cresce e você, trabalhador, fica atônito com as cifras da roubalheira que chegam à mídia. E a visão de que todos roubam pode dar margem a outra: de que a política não é a solução. Uma visão perigosa, que pode favorecer acontecimentos desastrosos.

Com isso, ganha força na imprensa que também defendeu o golpe, a ideia de eleições indiretas. Lembre-se que ao longo da jornada de lutas contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff, uma das nossas reivindicações era a de que fossem realizadas eleições Diretas. Mas, ao invés disso, querem restringir ao máximo qualquer possibilidade de participação popular. Querem sim finalizar o golpe alçando ao poder um presidente sem legitimidade popular, mas que irá cumprir o projeto do atraso.

Por tudo isso, companheiros e companheiras, a nossa perspectiva para 2017 não poderia ser outra: luta, luta e mais luta. Ainda mais que Temer pretende usar como cortina de fumaça para ofuscar as denúncias contra ele e seus parceiros um pacote econômico que, tenham certeza, irá retirar mais direitos.

Somente a unidade, a organização, a solidariedade de classe poderá fazer a diferença para que não mergulhemos num retrocesso sem fim. Essa é a nossa mensagem de final de ano: organização e luta!

 

Diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região