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Osasco Integra promove simpósio com foco na imigração

Por Auris Sousa | 12 jul 2019

Imigração, refúgio e políticas públicas foram os assuntos abordados no 1º Simpósio do Osasco Integra, que aconteceu nesta sexta-feira, 12, no Centro de Formação Continuada de Professores, no centro da Cidade. O Sindicato faz parte do projeto, criado em 2017 para ampliar a execução de políticas sociais, com ações capazes de promover uma cidade com igualdade de oportunidades para todos os trabalhadores.

Diretor Rafael Alves (à direita) representa o Sindicato no projeto Osasco Integra

“O Sindicato é um dos membros do Comitê Gestor do Projeto Osasco Integra, com isso pode efetivamente participar do planejamento de ações, e temos a oportunidade de na prática colaborar com a construção de uma sociedade mais justa e digna para todos”, ressalta o diretor Rafael Alves.

Durante o encontro, para situar os participantes sobre o assunto, Luís Benavides, do Núcleo de Estudos sobre Migração, Gênero e Direitos Humanos, fez um contexto sócio histórico da imigração no Brasil e seus aspectos legais. Segundo dados apresentados por ele, o total de imigrantes e refugiados no Brasil corresponde apenas 1,1% da população brasileira. Ou seja, nosso país faz parte dos que menos recebem imigrantes. “Eles estão concentrados em poucas cidades. Por isso a impressão errônea de que aumentou de forma considerável a presença de imigrantes no país”, explicou.

Durante sua palestra, Benavides deixou claro os desafios e a difícil realidade muitos estrangeiros que chegam ao Brasil. Não basta dar abrigo, alimentação e roupas. A acolhida é um processo e não um evento pontual. “São muitas as dificuldades encontradas por muitos. Alguns sofrem trabalho escravo, até mesmo por não terem conhecimento de seus direitos. Eles têm, inclusive, dificuldades de acesso à educação, saúde e justiça”, relatou.

Para Benavides, a Lei brasileira de Migração é maravilhosa, no entanto, falta conhecimento, até mesmo de autoridades. “Tem cartório negando registro à filhos de imigrantes nascidos no Brasil. Isso é ilegal”, exemplifou. Isso fora o preconceito que muitos sofrem.

Não é raro ouvirmos por aí, frases do tipo: “Já temos muitos brasileiros passando fome, agora chega esta invasão de venezuelanos. Temos que atender somente os nacionais”; “os imigrantes provocam o aumento da violência”. Ou seja, torna-se comum classificar o outro como um concorrente, uma ameaça. “Migrar é um direito”, destacou Benavides.

Seguindo o mesmo pensando. O padre Paolo Parise, da Ong Missão Paz, mostrou que entender o acolhimento isoladamente esconde necessidades que somente se cumprem em longo prazo. “É preciso a criação de uma política nacional para tratar da imigração”, ressaltou.

Diante disso, alertou os participantes que o pouco que temos corre risco. “Estamos nos organizando para barrar um ataque à Lei de Migração. A conjuntura atual está complicada, podemos ter grandes retrocessos”, alertou ele, que disse que entre os pontos em risco está a criminalização de quem não tem documentos.

Parise também destacou a necessidade de reconhecer o valor do estrangeiro, que vai além do trabalho, de sua demografia. “É necessário compreender o valor do outro”, destacou.