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Reforma da Previdência vai empobrecer trabalhadores

Por Cristiane Alves | 12 jul 2019

“O que a reforma da Previdência vai trazer é um aprofundamento brutal das desigualdades no Brasil”, a afirmação é da técnica do Diesat (Departamento Intersindical de Estudos e Pesquisas de Saúde e dos Ambientes de Trabalho) Daniele Corrêa. Isso porque 95% dos aposentados recebem até dois salários mínimos e a reforma acaba com a atual política de reajuste do benefício, com base no valor do salário mínimo. Ou seja, não haverá mais garantia de correção do valor das aposentadorias. O alerta foi dado durante o segundo encontro do 40º Ciclo de Debates, realizado na quinta-feira, 11, na subsede de Cotia. 

Ao mesmo tempo, o valor dos benefícios deixará de ser calculado de acordo com a média das 80 maiores contribuições para ter como base todas as contribuições ao longo da vida do trabalhador. Mas, para receber o valor total a que tem direito o trabalhador terá de contribuir por 40 anos. Se só conseguir pagar por 15 anos, vai receber apenas 60% do valor a que teria direito. “Vai ser um genocídio”, arrematou Daniele.

Além do que o governo Bolsonaro acabou com uma das conquistas mais fundamentais do movimento sindical brasileiro nos últimos anos: a política de valorização do salário mínimo, que garantia aumento de acordo com o crescimento da economia do país. 

E as mudanças impactam a todos, quem já está no mercado de trabalho, quem vai entrar ou quem está próximo a aposentadoria. Só com muita luta e organização podemos reverter esse quadro. “O estrago é brutal. Temos de nos organizar, ajudar a sindicalizar, fortalecer o Sindicato, para a gente enfrentar essa luta, que será muito dura nos próximos anos”, orientou o presidente do nosso Sindicato, Jorge Nazareno.

Uma situação que alarmou os trabalhadores presentes no Ciclo. “Não temos educação para ver o que a mídia passa. Estão fazendo você acreditar que tirando seu direito vai ser bom para você”, analisou uma companheira da Up-Trafos. 

Mais atraso – E os retrocessos não param por ai. O diretor do departamento de saúde e segurança da Fequimfar (Federação dos Químicos de São Paulo), João Scaboli, enumerou um conjunto de outros ataques a direitos, em curso desde o governo Temer, como a reforma trabalhista, a lei da terceirização, a intenção de mexer nas normas regulamentadoras, o congelamento de verbas para Saúde e Educação. “Parece que saúde do trabalhador não existe para este governo. São retrocessos que passam por cima das conquistas da conferências de saúde dos trabalhadores, de acordos e convenções coletivas”, explicou. Este não é o caminho para gerar empregos que o trabalhador precisa. “Queremos gerar empregos sadios, onde os trabalhadores não venham a adoecer e até morrer no ambiente de trabalho”, reforçou.