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Sindicato celebra os 50 anos da Greve de Osasco, de 1968

Por Cristiane Alves | 16 maio 2018

O ano de 2018 é um ano marcante para a história dos trabalhadores, quando celebramos os 50 anos da Greve e Osasco, de 1968. Ao lado de Contagem (MG), a greve de Osasco (SP), de 1968, entrou para a história de luta por direitos dos trabalhadores, pela Democracia e por Justiça social.

A comemoração é marcada por um calendário de atividades que vai de março a setembro. Começou na sede do nosso Sindicato, com o encontro de mulheres, em março, incluiu o Ato em Memória às Vítimas de Acidentes de Trabalho, em 28 de abril, o lançamento da biografia de José Ibrahin, em maio, e também inclui atividades na sede dos sindicatos dos Químicos e Bancários, além da Unifesp Osasco. A próxima atividade, aliás, é na Unifesp e será um seminário sobre a greve, com a presença das lideranças do movimento e também de pesquisadores como Marta Rovai e Francisco Weffort que estudaram e escreveram livros sobre a greve. Confira a programação (clique na imagem para amplia-la):

 

A Greve de Osasco – O soar do apito da Cobrasma, às 8h30, foi a senha para que 2 mil trabalhadores cruzassem os braços e iniciassem a ocupação da fábrica, sob o comando da comissão de fábrica. Colocavam em prática um plano alicerçado na organização de base e arquitetado à muitas mãos: Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região, Frente Nacional do Trabalho, operários estudantes, comissão de fábrica.

Tinham como pauta de reivindicações formal: aumento imediato de 35%; reajustes salariais de 3 em 3 meses, de acordo com o aumento do custo de vida; contrato coletivo de trabalho com duração de 2 anos. Mas o objetivo da luta ia além: contestar a ditadura instalada no país há quatro anos. Conseguiram.

O movimento se alastrou de forma solidária e organizada pelas fábricas Braseixos, Lonaflex, Barreto Keller, Fósforos Granada, Brown Boveri e se tornou um exemplo para todo o Brasil, fazendo de Osasco referência nacional na luta dos trabalhadores.

Tamanha afronta foi duramente reprimida pela ditadura civil militar, que, para isso, se valeu de sua associação com as empresas. Trabalhadores foram presos, torturados, perseguidos a ponto de terem seus nomes colocados em listas sujas que lhes empurraram para fora do trabalho em metalúrgicas e outras empresas da região. Prejuízos que se estenderam a suas famílias. O Sindicato sofreu a segunda intervenção. Mas o exemplo ficou. E ele floresceu dez anos depois, nas greves do ABC paulista, e se multiplica ainda hoje nas lutas contra o retrocesso e pelo avanço da classe trabalhadora.

Comemorar 50 anos da Greve de Osasco é comemorar a força da luta, das conquistas e da história dos trabalhadores. Isso se faz ainda mais necessário no momento que atravessa o Brasil, especialmente, os trabalhadores. Um momento marcado pela precarização de direitos, pressão sobre os sindicatos, redução de investimentos em áreas chaves para o futuro do país, como é Saúde e Educação, entrega do patrimônio nacional ao capital estrangeiro. Lembrar os anos 50 anos da Greve de Osasco é fortalecer a convicção de que só a luta dos trabalhadores pode transformar essa situação.

Por isso, a programação contempla a história da Greve de Osasco e de seus protagonistas, trazendo a luta de 50 anos atrás como ensinamento e uma das bases para a reflexão sobre o enfrentamento do projeto de retrocesso que temos hoje. Participe!

Documentário produzido pelo nosso Sindicato conta a história da greve: