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Sindicato ganha prêmio da Assembleia Legislativa de SP

Por Felipe | 07 dez 2018

Na próxima segunda feira, 10, o Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região receberá o prêmio Santo Dias de Direitos Humanos, dado anualmente pela Assembleia Legislativa de SP . A indicação foi feita pelo deputado Marcos Martins e aprovada em razão dos 50 anos da Greve de Osasco, que marcou a resistência dos trabalhadores ao arrocho salarial e aos desmandos da ditadura militar. O evento acontecerá às 19h no plenário Juscelino Kubtischek da ALESP, Av. Pedro Álvares Cabral, 201, Ibirapuera.

A Greve – Começando pela Cobrasma, diversas fábricas entraram em greve em julho de 1968,  exigindo melhores condições de trabalho, fim da política de arrocho salarial e outras pautas. O movimento se espalhou pela Lonaflex, Braseixos, Brown Boveri e outras, sendo que muitas delas pararam a produção em solidariedade aos companheiros da Cobrasma, que fora invadida pelo exército ao fim do primeiro dia do movimento.

O governo militar logo tratou de intervir onde podia, prendendo vários trabalhadores e obrigando os outros a voltarem ao trabalho através de ameaças e violência. No entanto, o exemplo da Greve continuou vivo durante muitos anos. A Cobrasma fora uma das primeiras indústrias do Brasil a ter uma Comissão de Fábrica, formada apenas de trabalhadores.  Um ano antes da greve, em 1967, foram esses trabalhadores que encabeçaram a chapa de oposição que assumiu o comando da entidade. Como não podia deixar de ser, uma de suas medidas mais importantes foi a criação de Comissões em várias outras fábricas da região.

Foram justamente essas comissões que construíram o movimento, a partir da vontade dos trabalhadores. O sindicato se tornou exemplo de uma entidade que não era regida pela cúpula, e sim pelas bases, como é até hoje. Nos anos 70, quando os trabalhadores voltaram a se manifestar contra a ditadura e as empresas, foi o exemplo de Osasco que eles buscaram. 

Prêmio Santo Dias – Promovido todos os anos pela Comissão de Direitos Humanos da ALESP, o evento de premiação homenageia o operário metalúrgico Santo Dias, assassinado em 1979 enquanto ajudava a organizar uma greve em Santo Amaro. Além disso, a premiação deste ano é especial por acontecer no aniversário de 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. A criação desse documento, assinado pelos membros da ONU em 1948 (inclusive o Brasil), foi fortemente motivada pelas atrocidades cometidas pelos nazistas e seus aliados durante a 2ª Guerra Mundial e visa impedir que os horrores daquela época voltem a acontecer.