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Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região
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Sindmetal

Por Cristiane Alves | 12 out 2015

Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região: mais de 50 anos de luta

 

Nossas raízes: cara a cara com a Ditadura

 

            Pouco tempo depois da emancipação de Osasco – até então bairro de São Paulo -, os metalúrgicos da cidade também se tornaram independentes, deixando de ser uma subsede do sindicato paulistano. A data oficial, 23 de julho de 1963, foi carimbada após meses de trâmites legais para a oficialização da entidade. A iniciativa foi tomada por um grupo de sindicalistas experientes, dentre eles Manoel Dias do Nascimento, Lino dos Santos e Conrado del Papa, este último nosso primeiro presidente.

            Povoada inicialmente por imigrantes no fim do século XIX, a cidade de Osasco se tornou nas décadas seguintes um imenso polo industrial – tão grande que já não poderia mais ser tratada como uma simples região de São Paulo. Com a emancipação municipal em 1962, os metalúrgicos liderados por del Papa foram rápidos e criaram a Associação dos Trabalhadores Metalúrgicos, Mecânicos e de Material Elétrico de Osasco, que se tornaria o sindicato no ano seguinte.

            Com menos de 1 ano de existência, o sindicato já sofreu sua primeira intervenção com o golpe militar de 1964, que depôs a primeira diretoria composta pelos fundadores del Papa, Manoel e Lino, além de Roberto de Oliveira, Fortunato Facchini, José Leonel Dias e João Batista.

            Um ano depois, em 1965, após muita luta, os operários reconquistaram o sindicato e elegeram o companheiro Henos Amorina para seu primeiro mandato na presidência, ao lado de nomes como Odin Jiorjon e Joaquim Miranda. Apesar de pressionada pela ditadura, a gestão conseguiu manter a independência da entidade frente ao governo, garantindo assim que os operários osasquenses continuassem organizados e solidários uns com os outros.  

          Em um acelerado processo de reconstrução e mobilização, os operários elegeram a combativa Chapa Verde em 1967, encabeçada pelo jovem José Ibrahin. A gestão, arrojada, participou da criação do Movimento Intersindical Anti-Arrocho (MIA), do grande protesto de 1º de Maio na praça de Sé em 1968 e, no mesmo ano, de uma greve histórica que ficaria conhecida como Greve de Osasco ou, para alguns, Greve da Cobrasma.

            Reprimidos pela ditadura, os operários foram presos e o sindicato sofreu outra intervenção, seguida de um mandato fantoche do governo e que durou até 1972, quando Henos Amorina foi eleito. Com ele, que já havia sido presidente entre 1965 e 1967, o movimento operário osasquense começa a se reerguer e participa do renascimento do sindicalismo em 1978, ao lado dos companheiros do ABC.

 

            O renascimento da democracia e as lutas por saúde e segurança

 

Nessa mesma época aumenta a luta por saúde e segurança, dando origem às Semanas de Saúde do Trabalhador (SEMSAT) e aos Ciclos de Debate, que acontecem anualmente até hoje. A partir dali, muito do empenho dos sindicalistas de Osasco foi direcionado para a valorização da CIPA, conscientização dos companheiros e pressão sobre os governos para que fosse implantada fiscalização nas fábricas.

            Em 1981 novos sindicalistas se unem aos antigos e experientes, dando origem à Força Operária, chapa vitoriosa encabeçada por Antonio Toschi. Durante seus dois mandatos, a gestão viveu os suspiros finais da ditadura e a transição para a democracia, lutando contra o desemprego e em favor da Assembleia Constituinte e das eleições diretas.

            Assumindo a liderança da chapa, Cláudio Magrão se tornou presidente em 1987, época em que a categoria se mobilizou contra os ataques do governo Sarney. Nos anos seguintes, a categoria foi vanguarda em manifestações por melhorias para a categoria, como a campanha “Sossega Leão” (1990) e a “Greve Andorinha” (1994), além de ser uma das mais mobilizadas nas manifestações pelo impeachment de Fernando Collor. Em 1991 o sindicato foi um dos fundadores da Força Sindical, central que vinha com uma proposta diferente , voltado para o sindicalismo cidadão, e na qual os metalúrgicos de Osasco estão até hoje.

 

            Entrando nos anos 2000: novas lutas e novas iniciativas

 

            Os anos 90 foram uma época de mudança para a cidade e também para o sindicato, que passou a ser presidido em 1997 pelo companheiro Jorge Nazareno. A gestão trouxe consigo diversas novidades, como Cooperativa de Crédito Sicoob Credmetal, a Associação Eremim e o Espaço da Cidadania. Em seu 7º congresso, a categoria elegeu como metas principais o trabalho decente e a busca por uma sociedade mais justa, objetivos que persegue até hoje com muito afinco.

            O Sindmetal se tornou cinquentenário em 2013, mantendo sempre os pés no chão de fábrica. Para comemorar, além da merecida festa de aniversário elaborou também publicações e uma bela exposição em retrospectiva aos 50 anos de luta. No mesmo espírito, o sindicato lembra em 2018 do cinquentenário da Greve de Osasco, organizando eventos e trazendo o passado para o presente, mostrando que os operários da cidade já estão acostumados a lutar por seus direitos.

            Desde 2016 a categoria vem empenhada na luta contra o golpe que depôs a presidente Dilma Roussef e que prendeu sem provas o ex-presidente Lula, amado pelo povo e odiado pelos patrões. O governo ilegítimo do traidor Michel Temer tem se esforçado para impor reformas que prejudicam os trabalhadores, como a reforma da previdência. Foi contra esses e outros ataques que os operários cruzaram os braços na Greve Geral de 28 de abril de 2017 – e é contra os abusos desse governo que continuamos na luta.