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Comissão Municipal da Verdade de Osasco
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Tortura e listas sujas eram instrumentos da ditadura contra militância

Por Auris Sousa | 26 maio 2015

As estratégias adotadas pela ditadura e pelos empresários para perseguir os militantes que organizaram a Greve de Osasco, de 1968, foi um dos principais assuntos da audiência pública realizada pela Comissão Municipal da Verdade de Osasco na segunda-feira, 25.

A audiência reuniu na Câmara dos Vereadores trabalhadores que participaram da organização da paralisação: Joaquim Miranda, Stanislaw Szermeta e Otaviano Pereira.  Os três foram presos, perseguidos e tiveram dificuldades para encontrar emprego, porque seus nomes constavam em listas sujas.

Comissão ouviu militantes da Greve de Osasco, de 1968

Otaviano disse que suas prisões foram esporádicas e decorrentes de suas participações em piquetes, e sofreu “tortura moral”. “As perseguições aconteceram depois da greve, ninguém me dava emprego. Tive que trabalhar de motorista [por conta própria]”, contou.

Joaquim Miranda foi preso três vezes e torturado. “Tentava dormir, mas sabia que a qualquer momento eles iam chamar, e que o bicho ia pegar”, relatou. Ele só não ficou desempregado porque conseguiu uma nova recolocação profissional numa escola técnica no interior.

Stanislaw contou um dos recursos usados para driblar a lista suja: “Tínhamos uma larga experiência, então falsificávamos [a carteira], colocávamos principalmente as empresas falidas que não tinham como buscar. Nós tínhamos que ir a fábrica, tinha que enganar os patrões e aperfeiçoar a nossa profissão”, contou.

Os comentários foram feitos após a exibição do documentário “Osasco é Exemplo”, produzido pelo Sindicato, o qual traz outros depoimentos sobre a história da greve.