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Fausto Augusto Júnior
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A Ford e o descaso do governo

Por Fausto Augusto Júnior - Diretor técnico do DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos 05 mar 2021

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O impacto do fim das atividades da Ford no Brasil, com o fechamento das unidades de Camaçari/BA, Horizonte/CE e Taubaté/SP, será bem maior do que as 5 mil demissões anunciadas pela empresa. Estudo do DIEESE mostra efeito cascata: entre postos diretos, indiretos e induzidos, podem sumir quase 119 mil ocupações. Também haverá perda anual de R$ 2,5 bi de massa salarial e R$ 3 bi de arrecadação para os cofres públicos. Mais uma tragédia engrossando o caldo de crise sanitária e econômica, alto desemprego e pobreza crescente.

Ainda que a decisão seja complexa e da matriz, o governo Bolsonaro nem cogitou se envolver. São as entidades sindicais que atuam contra o fechamento e exigem da montadora responsabilidade social com os trabalhadores e o país. A Ford foi muito beneficiada com subsídios fiscais federais, regionais e empréstimos subsidiados do BNDES e, ao deixar o Brasil, tem obrigação de ressarcir a sociedade.

A Ford não é caso isolado. Outras empresas avaliam sair daqui, atestando que é geral a perda de confiança no país, principalmente por causa de posições e ações do atual governo.

A solução para o caso da Ford diz muito sobre o possível futuro da indústria no Brasil. Um dos principais indutores de crescimento econômico, o setor deveria voltar urgentemente ao centro do debate econômico e estimular a construção de um projeto estratégico nacional de desenvolvimento econômico e social.

Jornal Visão Trabalhista EDIÇÃO #07

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